Embora arquivado, o inquérito que investigou o tráfico de influência
na gestão de Erenice Guerra na Casa Civil traz detalhes curiosos da
perícia feita pela Polícia Federal no computador da ex-ministra no
palácio.
Em um dos casos investigados no inquérito, Erenice é apontada como
facilitadora dos interesses do marido, José Roberto Camargo Campos, que
tentava obter uma concessão da Anatel para a empresa Unicel operar
telefonia celular.
Em 2007, a Unicel enviou uma carta a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff
(os investigadores destacam o fato de o nome de Dilma ter sido grafado
incorretamente, com apenas um “f), reclamando da demora da Anatel em
declarar o vencedor de uma licitação disputada pela empresa dois anos
antes, em 2005.
A investigação mostra que a carta da empresa, uma vez entregue à Casa
Civil, caiu nas mãos de Erenice. O que fez a então número dois de
Dilma? Chamou o próprio presidente da Anatel ao Planalto para dar
explicações sobre a demora na licitação.
Passado todo o entrevero, já com o caso sob investigação, a Polícia
Federal descobriu no meio dos arquivos do computador de Erenice um
rascunho, em papel timbrado da Unicel, da mesma carta enviada ao
gabinete de Dilma (inclusive com o nome de Dilma grafado errado). Os
investigadores registram:
– A localização deste documento levou à conclusão da autoridade
policial que a conduta da Unicel era de prévio conhecimento de Erenice,
assim como parte do conteúdo da carta.
Ao analisar o caso, a procuradora do República Luciana Marcelino
Martins escreve que “poder-se-ia cogitar que tal ato pudesse
caracterizar a advocacia administrativa, em face dos interesses
envolvidos” de Erenice e de seu marido.
A mesma procuradora, no entanto, diz que “solicitar informações não é
ato de patrocínio de interesses privados” e que ainda se fosse
configurado crime de advocacia administrativa, tal delito já teria
prescrito, por ter ocorrido em 2007.
Por Lauro Jardim

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