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Em
sua última oportunidade de acusar os réus do mensalão, o
procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse ontem que o esquema
funcionava 'entre quatro paredes' do palácio presidencial e pediu a
prisão imediata de eventuais condenados. 'Quando
falo de quatro paredes, falo das paredes da Casa Civil, de algo que
transcorria dentro do palácio da Presidência da República', disse o
procurador no segundo dia do julgamento.
O
chefe do Ministério Público Federal disse ter sofrido intimidações e
'ataques grosseiros' após entregar suas alegações finais, em referência
às críticas por suposta omissão no caso Cachoeira. 'Houve
tentativa de constrangimento e intimidação do Procurador-Geral da
República, o que jamais havia ocorrido, o que mostra que nós temos uma
quadrilha extremamente arrogante.'
Em sua fala aos ministros do STF, Gurgel pediu que a corte estabeleça um 'paradigma histórico'.
'[Peço]
desde já a expedição dos mandatos de prisão cabíveis imediatamente após
a realização do julgamento'. Gurgel considerou 'risível' o discurso de
que o mensalão não passou de um 'delírio'. 'Jamais um delírio foi tão
solidamente [...] documentado e provado'. E repetiu que trata-se do mais
'atrevido' e 'escandaloso' esquema de corrupção do Brasil.
DIRCEU O MENTOR
Em
sua fala, ele apontou o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu como o
mentor da quadrilha. Dedicou 25 minutos das quase 5 horas de discurso a
Dirceu, e disse que 'a prova é contundente contra o ex-ministro.
Também procurou justificar a ausência alegada pela defesa de provas documentais da ação de Dirceu.
'O
autor intelectual, quase sempre, não fala ao telefone, não envia
mensagens eletrônicas, não assina documentos, não movimenta dinheiro por
suas contas, agindo por intermédio de `laranjas'. A prova da autoria do
crime não é extraída de documentos ou de perícias, mas essencialmente
da prova testemunhal', disse.
Apesar
de dedicar menos tempo aos outros acusados, Gurgel citou vários outros
documentos para tentar descrever como funcionariam os três núcleos:
político, operacional e financeiro.
DINHEIRO A DEPUTADOS
Ao
longo de sua narrativa, Dirceu era constantemente citado, principalmente
em depoimentos do empresário Marcos Valério, apontado como o operador
do mensalão. Ao falar sobre o núcleo financeiro, o procurador disse:
'Ele [Dirceu] está rigorosamente em todas'.
Gurgel
enfatizou repasses de dinheiro a deputados em épocas de votações
importantes no Congresso, como as reformas tributária e previdenciária,
ocorridas entre setembro e dezembro de 2003.
Dos
38 réus, Gurgel pediu a absolvição por falta de provas do ex-ministro
Luiz Gushiken e do assessor partidário Antônio Lamas. (Da Folha de
S.Paulo - Felipe Seligman, Flávio Ferreira, Márcio Falcão e Rubens
Valente)
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sábado, 4 de agosto de 2012
Esquema corria dentro do Palácio, diz procurador
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