Voto do presidente da corte, Ayres Britto, nesta quinta-feira, decidirá se o petista - já condenado por dois crimes - também é culpado por lavagem de dinheiro
João Paulo Cunha
(Dida Sampaio/AE)
O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta quinta-feira a análise do segundo dos sete itens do voto do relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa. A Corte vai se debruçar sobre os crimes cometidos pela cúpula do Banco Rural na época do escândalo. Antes disso, entretanto, o presidente do tribunal, Carlos Ayres Britto, apresentará o seu voto sobre a sequência de crimes envolvendo o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP).
Já condenado por corrupção passiva e peculato, o petista corre ainda o risco de sofrer uma terceira condenação, por lavagem de dinheiro. Para isso, basta o voto de Ayres Britto (o placar atual é de 5 a 4 pela punição). A nova condenação pode significar, para o petista, o cumprimento da pena em regime fechado, e não no semi-aberto. O deputado recebeu 50 000 reais para favorecer a SMP&B, de Marcos Valério, em um contrato da Câmara dos Deputados.
Até agora, a Corte analisou no julgamento do mensalão a primeira sequência de crimes. E condenou praticamente todos os envolvidos: o deputado João Paulo Cunha, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, o publicitário Marcos Valério e seus ex-sócios Cristiano Paz e Ramon Hollerbach. O ex-ministro Luiz Gushiken, que o próprio Ministério Público Federal considerou inocente, teve a absolvição confirmada.
Após o voto de Ayres Britto, a sessão desta quinta-feira deve ser totalmente dedicada à leitura do voto de Joaquim Barbosa sobre a atuação de ex-diretores do Banco Rural na concessão de empréstimos fraudulentos que abasteceram o valerioduto. Este é o segundo dos sete itens do processo que serão julgados pela corte. Só depois dessa etapa é que a corte passará a julgar os deputados que se beneficiaram do esquema do mensalão.
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