domingo, 13 de janeiro de 2013

O poder acima da fidelidade, Eduardo Campos mantem tendência e não cumpre o que disse.

Quem conhece bem o governador de Pernambuco sabe, cumprir o que diz varia muito.


Por José de Lemos

O retrato claro do perfil que Eduardo Campos (PSB) adota nota-se por muitos fatos, o mais recente, ocorreu nas eleições municipais 2012. Em várias cidades onde o PSB tinha candidatos próprios no estado, Eduardo nem lá apareceu, uma delas foi Camocim de São Félix, interior de Pernambuco. Com o anuncio de uma possível candidatura a presidente em 2014, o presidente nacional do PSB confirma a definição que recebeu de que se camufla de acordo com a situação.

''Estarei com Dilma em 2014'', disse Eduardo em dezembro
 











''Não tenho tido a oportunidade nem o tempo de falar o que vou falar aqui. Quero dizer como está minha cabeça neste instante. Não é a hora de adesismos baratos, nem de arroubos de oposicionismos oportunistas. “Queremos que a presidenta Dilma ganhe 2013 para que ela chegue a 2014 sem necessidade de passar pelos constrangimentos que outros tiveram de passar em busca da reeleição.”


A afirmação acima foi do governador Eduardo Campos, em entrevista recente à revista Época, dia 22 de dezembro passado, de grande repercussão, por ter sido a primeira vez que o governador pernambucano deixou bem claro que não é candidato a presidente em 2014, defendendo a reeleição da presidente. A se confirmar mesmo a notícia que o PSB, partido que ele preside nacionalmente – vai mesmo lançar seu nome para enfrentar Dilma em 2014, cai por terra praticamente tudo que está na entrevista. Reproduzimos abaixo outros trechos da entrevista:



ÉPOCA – Então, o senhor apoiará a reeleição da presidente Dilma em 2014?

Campos – Não há dúvida, não. Qual é a dúvida? Estamos na s base de sustentação. Não tenho duas posições. Quem defende a presidenta Dilma neste momento deseja cuidar em 2013 do Brasil. Quem pode cuidar do Brasil é Dilma. Nós temos de ajudá-la a ganhar 2013. Ganhando 2013, Dilma ganha 2014. Então a forma de ajudar Dilma é dizer: em 2014 todos nós vamos estar com Dilma. Claro. Por que não vamos estar com Dilma? Nós rompemos com Dilma? Saímos do governo de Dilma? Saímos da base dela? Você conhece algum programa criado pelo PSB constrangendo algum programa, alguma decisão da presidenta Dilma? Não existe nenhum. Agora, entendemos que é a hora de cuidar do Brasil. Temos muitas ameaças e possibilidades pela frente.



''Agora, ninguém pode dizer o que acontecerá em 2014, nem quem está liderando esse processo, a própria presidenta Dilma. Ela tem nossa confiança, foi nossa candidata, com quem temos identidade, respeito pelos valores que ela traz para a vida pública. Ela é uma mulher que tem dignidade, tem força de pelejar com seus valores. Nem ela pode, a uma altura desta do campeonato, permitir que o debate se eleitoralize. Quem é amigo da Dilma, amigo do Brasil, não botará campanha na rua, nem da oposição nem a campanha da Dilma''.

ÉPOCA – Por que o senhor quer ser presidente da República?

Campos – Quem lhe disse isso?

ÉPOCA – O senhor quer? O senhor tem esse sonho de ser presidente da República?
Campos – Deixa eu falar, com toda a tranquilidade: quando quis ser

governador, disse às pessoas que queria ser governador. Procure neste país alguém que procurei dizendo: “Quero ser candidato a presidente da República”. Em março de 2005, disse que seria candidato a governador em 2006 (foi e ganhou, no segundo turno, com 65,36% dos votos). Agora eu não disse isso. É preciso saber que, na política, também há pessoas que pensam, sem necessariamente se colocar. E sei o que é que vou viver,
esse estresse todo, as pessoas querendo, achando que devo ser,

que posso ser, que vou ser, outros olhando de um jeito diferente, ou

com uma desconfiança, porque as circunstâncias políticas no Brasil
vão, no ciclo pós-Dilma, escolher novas lideranças que pautarão o
debate político. Então tem de ter calma. Estou sereno, tranquilo. No
dia em que eu vier a querer ser presidente, vou responder a essa
pergunta. Mas hoje não.

ÉPOCA – Por que o senhor quer ser presidente da República?

Campos – Quem lhe disse isso?

ÉPOCA – O senhor quer? O senhor tem esse sonho de ser presidente da República?

Campos – Deixa eu falar, com toda a tranquilidade: quando quis ser

governador, disse às pessoas que queria ser governador. Procure neste país alguém que procurei dizendo: “Quero ser candidato a presidente da República”. Em março de 2005, disse que seria candidato a governador em 2006 (foi e ganhou, no segundo turno, com 65,36% dos votos). Agora eu não disse isso. É preciso saber que, na política, também há pessoas que pensam, sem necessariamente se colocar. E sei o que é que vou

viver, esse estresse todo, as pessoas querendo, achando que devo ser, que posso ser, que vou ser, outros olhando de um jeito diferente, ou com uma desconfiança, porque as circunstâncias políticas no Brasil vão, no ciclo pós-Dilma, escolher novas lideranças que pautarão o debate político. Então tem de ter calma. Estou sereno, tranquilo. No dia em que eu vier a querer ser presidente, vou responder a essa pergunta. Mas hoje não.

ÉPOCA – Foi por isso que o seminário dos prefeitos eleitos do PSB, no final de novembro, com 600 participantes, não virou uma festa de
lançamento de sua candidatura, como alguns setores esperavam?

Campos – Se eu quisesse, tocava fogo naquilo ali. Podia pedir a um
governador, a um deputado.

ÉPOCA – E por que isso não aconteceu?

Campos – Porque a gente tem um debate político feito no partido. Nós temos responsabilidade. Calma! O país está numa situação de muita dificuldade. Se a gente não ganhar 2013, podemos botar abaixo 20 anos de construção brasileira. Se a gente importar essa crise, começar a destruir o mercado de trabalho, começar a eleitoralizar esse debate, ir para a luta fratricida e não sei mais o quê, vamos desmontar grande parte do que foi a conquista dos últimos 20 anos. É isso que está em jogo. E quem você acha que vai ser respeitado como quadro político? Quem for fazer a disputa eleitoral pela disputa eleitoral? Ou quem pautar o que interessa à sociedade?

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