sexta-feira, 15 de junho de 2012

FACEBOOK é ferramenta estratégica de Obama na busca por votos


Por J Lemos


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Especialistas em marketing digital analisam e comparam o uso de redes sociais por políticos brasileiros e estrangeiros


A campanha eleitoral do presidente Obama revolucionou o conceito de marketing político online, arrecadando US$ 5 bilhões em doações feitas pela internet em 2008. Este ano, a equipe do presidente anunciou que investirá fortemente em uma única campanha no Facebook, rede social que tem 160 milhões de americanos cadastrados – praticamente o mesmo número de eleitores registrados no país. As primeiras ações já resultam em mais de 1,4 milhão de doações unitárias, sendo que 98% delas é inferior a U$250. Neste mesmo período em 2008, nem a metade deste montante havia sido arrecadado.
De acordo com o anúncio dos organizadores da campanha de reeleição de Obama, nos próximos meses os eleitores serão convidados a seguir a página oficial do presidente no Facebook. Todas as comunicações oficiais durante a campanha serão feitas nesta mídia social, por meio de vídeos, fotos e textos. Ao curtir a página do candidato, os eleitores estão cedendo informações como sua idade, localização, escolaridade e profissão. Esta base de dados será usada para segmentar o conteúdo divulgado.
“Se na primeira campanha Obama acertou ao usar o Facebook como maneira de se aproximar dos eleitores e estar em contato direto com eles, agora o caminho certo a seguir é buscar a personalização deste contato. Como o processo eleitoral americano é diferente do brasileiro, a lógica da comunicação é outra. Estar em contato com o eleitor americano é uma forma de convencê-lo a votar e encontrar novos voluntários engajados”, avalia Bira Miranda, diretor de planejamento da B1 Comunicação e Marketing.
O especialista em marketing digital analisa que mesmo sendo diferente do modelo eleitoral americano, as campanhas políticas no Brasil poderiam se inspirar no exemplo americano. “A grande estratégia de Obama é falar sobre sua plataforma de maneira mais personalizada e investir em mobilização regional. O trabalho da equipe dele é muito amplo e intenso antes, durante e após o processo eleitoral. No Brasil, os políticos não têm essa visão de continuidade. A própria presidente Dilma abandonou seu Twitter depois de eleita. Os candidatos brasileiros têm que investir em estratégias mais lineares de presença digital para serem mais efetivos”, afirma Miranda.
A estratégia utilizada por Obama vem se mostrando bastante eficaz uma vez que a grande maioria das pessoas está conectada à internet e também utiliza as redes sociais. “O uso dessa ferramenta deixa o candidato mais próximo dos eleitores, dessa forma fica mais fácil interagir, gerar conteúdo e informação, organizar e reunir voluntários para a campanha, arrecadar dinheiro, monitorar e moldar a opinião pública”, informa o diretor de marketing da JN2, Leonardo Neves.
Neves ressalta, ainda, algumas técnicas eficiente utilizadas por Obama em sua campanha, como a plataforma de e-commerce “open source” para arrecadação de fundos, com tecnologia de ponta e, ao mesmo tempo, muito acessível a todos. Sua estratégia de atuação levou milhares de pessoas a transacionar bilhões de dólares pela internet, em prol de sua campanha. Outro ponto forte é a boa imagem que Barack Obama transmite para os diversos públicos. “No seu Facebook – que já possui mais de 25 milhões de “curtidas” – a imagem de capa da linha do tempo já teve o presidente cumprimentando um funcionário da limpeza na casa branca e, atualmente, a linha do tempo possui uma imagem do presidente caminhando pelo belo jardim da casa branca na companhia do vice-presidente. Assim, a imagem de Obama vai sendo construída para atingir todas as camadas sociais e possíveis eleitores”, completa Neves.


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